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Com novo ministro da Justiça, governo tenta retomar PEC da Segurança

14 de Janeiro, 2026
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Com novo ministro da Justiça, governo tenta retomar PEC da Segurança
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda formas de retomar o controle da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública antes dela ser votada no plenário, que pode se dar na primeira semana de março. A iniciativa é prioritária para o Palácio do Planalto à frente das eleições deste ano, mas sofreu alterações profundas na Câmara que mudam o teor do texto. Com a saída de Ricardo Lewandowski e a chegada de Wellington César Lima no Ministério da Justiça e da Segurança Pública, a ideia é recuperar o fôlego.

Antes do recesso, chefes do governo concordaram em adiar a votação para 2026, ganhando mais tempo para a análise do substitutivo proveniente da comissão especial, onde o relator, Mendonça Filho (União Brasil-PE), apresentou mudanças como a liberação de Estados legislarem sobre política penal e uma distribuição maior de verbas para a Segurança entre os entes federativos.

O texto ainda incorpora trechos controversos que foram tirados do PL Antifacção, como a proibição de apreendidos provisórios votarem nas eleições e sugere a realização de um referendo para diminuir a maioridade penal em casos de crimes violentos. Ao Metrópoles, Mendonça Filho defende o texto como uma versão “mais elaborada” que a do governo e que foi bem recebida por chefes da Câmara.

Leia também As mudanças encerraram frustrando o governo e, em particular, o então responsável através do projeto, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. A saída dele da pasta, no final da última semana, freou a articulação do Palácio do Planalto sobre o assunto, já que foi o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) quem encabeçou boa parte das conversas a respeito do projeto com o Legislativo em 2025.

1 de 7

O presidente Lula e Ricardo Lewandowski

Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

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Rui Costa e Lula

Vinícius Schmidt/Metrópoles

3 de 7

O chefe do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

4 de 7

Sidônio Palmeira

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

5 de 7

Deputado José Guimarães (PT)

Vinícius Schmidt/Metrópoles

6 de 7

Jerônimo Rodrigues, Sidônio Palmeira, Rui Costa e Jaques Wagner

Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

7 de 7

Lula com Wellington César Lima e Silva e o ministro interino da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto

Ricardo Stuckert/PR

“Negociador habilidoso”

Agora, a articulação recairá sob seu sucessor,Wellington César Lima e Silva. De perfil técnico, o agora ex-advogado geral da Petrobras é descrito por apoiadores como um “negociador habilidoso“, ao mesmo tempo que é “um técnico de mão cheia“. Ele foi procurador-geral do ex-governador da Bahia e atual chefe do governo no Senado, Jaques Wagner (PT).

“Ele é tão técnico quanto o [ex] ministro Lewandowski, mas é prático. É prático porque foi procurador da Bahia e sabe intermediar entre os poderes […] ele é tranquilo, e um negociador muito habilidoso. Precisamos disso neste momento”, falou o deputado federal Zé Neto (PT-BA). Além de Jaques, o novo ministro tem bom trânsito com outros nomes do PT baiano que têm relação direta com Lula: o governador Jerônimo Rodrigues, o deputado federal José Guimarães e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação).

A PEC está pendente de votação na comissão especial e a tramitação precisará ser uma das primeiras no retorno do recesso legislativo, programado para 2 de fevereiro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou à reportagem que pretende concluir a análise da proposta ainda no primeiro trimestre deste ano. O que se espera é que os detalhes sejam ajustados na volta do recesso, durante a primeira reunião de chefes da Casa em 2026.

Membros da atual composição do Ministério da Justiça também reafirmam a expectativa de que a proposta avance nos próximos meses. Desde dezembro, a pasta tem se debruçado sobre o relatório apresentado por Mendonça Filho.

Governistas e integrantes do ministério têm avaliado que o texto vai na “contramão” do que havia sido proposto por Lewandowski. O secretário de Assuntos Legislativos da pasta, Marivaldo Pereira, afirmou ao Metrópoles que, em vez de fazer parte forças de segurança, o parecer estimula a “descentralização”.

“A nossa proposta é uma consolidação de esforços. Entendemos que não há nenhum sentido de sacramentar na Constituição uma descentralização. O parecer do deputado Mendonça vai na contramão do que está funcionando hoje”, falou Pereira.

O que diz a nova versão da PEC

Fortalece o papel de Estados e Municípios nas políticas públicas da Segurança Pública; Dá aos 26 Estados e ao DF poder de legislar sobre políticas penais; Ao mesmo tempo, amplia a competência da Polícia Federal, que passa a atuar contra crimes ambientais; Constitucionaliza o Sistema Brasileiro de Inteligência, como também estipula a criação de uma lei para definir um regime especificam de proteção para os agentes; Veda progressão de benas e benefícios que reduzem o tempo de prisão para bandidos violentos; Cria a Polícia Municipal Comunitária com foco na proteção social e regras específicas. Guardas precisarão passar por um momento de transição para se tornarem policiais; Estabelece a autonomia para corregedorias e constitucionaliza ouvidorias de polícia. Resgate Parlamentares apoiadores ao Planalto defendem que o governo trabalhe para resgatar o texto original enviado por Lula, mas a mudança é vista como um desafio por chefes, ainda mais em ano eleitoral.

Chefes consultados através da reportagem disseram que aguardavam a definição de Lula sobre quem comandará a pasta para reorganizar a articulação. O novo ministro da Justiça terá logo no começo da sua gestão o desafio de comandar as negociações para destravar a PEC e o PL Antifacção.

Parlamentares apoiadores ao Planalto defendem que o governo trabalhe para resgatar o texto original da PEC enviado através do governo. Marivaldo Pereira também afirmou que o ministério acompanha com atenção trechos do texto que podem colocar em xeque o financiamento da Polícia Federal.

Chefias do PT defendem que existe espaço para que a PEC tenha a análise concluída antes das disputas de outubro. A avaliação interna é de que o texto pode servir como um tipo de trunfo para aproximar e converter eleitores.

O tema da Segurança Pública é vista como um “calcanhar de Aquiles” histórico para governos da esquerda. Uma pesquisa Genial/Quest divulgada no final de 2025 mostra que a violência se tornou a principal preocupação do eleitorado, citada por 38% dos entrevistados, ficando à frente da economia (15%).

O PT lançou, no mês de dezembro, uma cartilha com diretrizes para o debate do tema dentro do partido à frente das eleições de 2026. No documento, a PEC da Segurança é mencionada explicitamente como uma reforma necessária. O texto afirma que a proposta é um “avanço estrutural para fortalecer a segurança pública, modernizando o modelo brasileiro para garantir a proteção de mais direitos”.

Com informações Metropoles

Brasil zzmoscay
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