A Eletra está em fase de avaliação para determinar uma segunda fábrica, pretendendo expandir sua capacidade industrial e incrementar a proporção de peças brasileiras em seus chassis elétricos. Atualmente, a empresa destaca que mais de 93% dos componentes usados são fabricados localmente, evidenciando a nacionalização como uma diretriz essencial de seu crescimento.
Eletra confirma que mais de 93% dos seus chassis são feitas com peças brasileiras
A Eletra também reformulou partes do seu processo produtivo, consolidando atividades que antes eram dispersas em diversas etapas da cadeia. Os chassis são montados na unidade sem numeração, onde recebem sistemas eletrônicos, software e componentes de eletrificação antes de serem enviados para a encarroçadora, otimizando o fluxo e minimizando a movimentação desnecessária.
Essa reestruturação pretende aumentar a eficiência ao combinar peças mecânicas tradicionais com baterias, motores elétricos, e sistemas de controle eletrônico. Quanto maior a integração nas operações, menor é a necessidade de transporte entre fornecedores e diferentes fábricas.
A relevância da alta nacionalização é notável, particularmente julgando que os ônibus elétricos dependem de muitos componentes que seguem sendo importados em diversas partes do mundo. A produção local de estruturas e sistemas pode diminuir riscos cambiais e logísticos, mesmo que algumas células de bateria e equipamentos eletrônicos ainda estejam vinculados a cadeias internacionais.
A criação de uma nova planta poderia aumentar a produção se a demanda por ônibus elétricos aumentar entre os setores público e privado. Essa decisão, no entanto, deve trazer em conta contratos vigentes, financiamento, infraestrutura de recarga e previsibilidade na demanda, fatores decisivos para preservar que uma maior capacidade produtiva seja economicamente viável.
A eletrificação do transporte coletivo difere em vários aspectos do mercado automotivo. As linhas urbanas têm horários e garagens determinadas, o que facilita o planejamento das recargas, mas os veículos também percorrem longas distâncias diárias e precisam manter alta disponibilidade, particularmente nos picos de demanda brasileiros.
Para os fornecedores locais, uma operação com 93% dos componentes do país pode abrir oportunidades em regiões mecânicas, estruturais e elétricas. O desafio será manter-se atualizado em requisitos técnicos e produtivos, impedindo perder a competitividade para fabricantes estrangeiros com cadeias produtivas mais robustas e escalas maiores.
O plano da Eletra é uma prova de que a nacionalização e a eletrificação podem avançar lado a lado quando existe sinergia entre engenharia e fornecedores. O avanço efetivo dependerá da velocidade das encomendas, mas essa estratégia indica como a indústria brasileira pode se integrar à geração de valor no setor de ônibus elétricos.
Fonte: Alpha Autos
Com informações de PortalHortolandia


